É praticamente geral a impressão de que estamos no curso de uma das disputas presidenciais mais incertas da democracia instituída pela Constituição de 1988. Decorre disso que as previsões sobre o seu resultado têm uma chance grande de se mostrarem erros absolutos, o que não impede ninguém de fazer as suas, claro – ainda mais depois do importante fim de semana que tivemos, com a definição dos candidatos à Presidência e dos seus vices.

Escrevo este texto para lançar cinco apostas sobre as eleições presidenciais de 2018, com o risco de errar quase tudo. Evidente que não deixarei apenas as frases no ar. Justificarei cada uma delas. Sigamos.

1) LULA NÃO SERÁ CANDIDATO À PRESIDÊNCIA

Essa é a mais fácil. Por mais que se façam acalorados discursos em sentido contrário, todos sabem que Lula não estará entre os candidatos.

A Lei da “Ficha Limpa” (Lei Complementar 135/2010) torna inelegíveis os cidadãos condenados por “órgão judicial colegiado” a pena por crime de corrupção, entre outros delitos. É o caso de Lula, condenado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região por corrupção passiva.

Não se trata de debater a justiça da condenação. É uma mera questão legal. A propósito, a LC 135/2010 foi sancionada por… Lula.

O TSE cassará a candidatura do ex-presidente. E o PT indicará, aparentemente, Fernando Haddad para postular ao cargo.

2) GERALDO ALCKMIN SERÁ ELEITO PRESIDENTE DA REPÚBLICA

Aqui a questão é mais delicada. Explicarei meu ponto de vista.

Tendo feito uma ampla aliança que lhe garantirá palanques pelo Brasil todo, um tempo imenso no horário eleitoral e várias inserções de TV ao longo do dia, Alckmin garante vantagem relevante em relação a todos os seus concorrentes. Ainda que estejamos em uma era de maior influência da internet e das redes sociais, não se pode minimizar a força da TV e do rádio como mecanismos de cooptação de eleitores e de influência das massas.

Alckmin não tem carisma, mas tem experiência e boa aprovação como governante. Indicou corretamente a Senadora Ana Amélia, do Rio Grande do Sul, para se aproximar do eleitorado conservador e entrar em uma região importante do país com mais força.

A recente pesquisa do IBOPE em São Paulo já demonstra o ex-governador na liderança de votos para presidência no Estado mais populoso do Brasil quando Lula sai da disputa. Com os fatores acima apresentados, Alckmin tende a ganhar força ao longo da campanha e se firmar com uma vaga no segundo turno.

Dissecarei minha previsão para o segundo turno em seguida.

3) JAIR BOLSONARO NEM AO SEGUNDO TURNO IRÁ

Parece difícil essa, não? Acredito que seja uma aposta segura.

Tenho certas convicções sobre Jair Bolsonaro que não convém a esta análise. Talvez em outro texto eu possa dissecar o caso. Aqui irei apenas relatar o que penso sobre a tendência de sua candidatura ao longo da campanha, inclusive baseado nas escolhas feitas até aqui, muitas vezes contra a sua vontade.

Nada mais emblemático para ilustrar isso que a “opção” pelo General Mourão de vice. Mourão, ao que parece, não era nem a primeira, nem a segunda opção do deputado. O general não traz nada de novo eleitoralmente a Bolsonaro, ao contrário do que faria a advogada Janaína Paschoal, por ser mulher, por ter liderado juridicamente o impeachment de Dilma, por atenuar os excessos de discurso do candidato.

Mourão soa como pregação para já convertidos. Dá campo aos opositores por seus discursos polêmicos, afasta os eleitores mais moderados da chapa e simboliza que o discurso do “esquecer do passado” não é lá tão amplo.

Com pouco tempo de TV e muito espaço para contestação, acredito que Bolsonaro, ainda que não se desidrate tanto, pelo eleitorado fiel que tem, terá dificuldades para avançar em outros setores. E perdendo uma parcela dos não tão convictos que compõem seus 15 a 20% indicados nas pesquisas, não terá votos para chegar ao segundo turno.

4) ENTÃO, QUEM CHEGARÁ? O “POSTE” DE LULA

Nem Bolsonaro, nem Marina, nem Ciro.

Acredito que Marina, outsider por natureza, conseguirá um número relevante de votos, mas novamente insuficiente para os seus planos. Tende a ser um dos alvos da campanha de muitos minutos televisivos de Geraldo Alckmin.

Ciro, por sua vez, foi desidratado pela manobra petista de afastar suas possíveis alianças, em especial a do PSB. Isso rendeu inclusive a desistência da promissora candidatura de Marília Arraes ao Governo de Pernambuco. Contra a vontade da candidata e do PT pernambucano.

Acredito que a transferência de votos de Lula será processada especialmente no Nordeste, onde o ex-presidente tem preferência do eleitorado. Alckmin “abandonou” o Nordeste na sua escolha de vice e o terreno aqui, presumo, será fértil ao petismo/lulismo.

Com o peso da segunda região mais populosa do Brasil e da militância ao redor do país, acredito que o “poste” de Lula estará no segundo turno, mas não vencerá.

5 – A SOMA DA REJEIÇÃO A LULA/PT E DA DESCONFIANÇA NO SUBSTITUTO DARÁ O CARGO A ALCKMIN

Lula, mesmo com todos os percalços, certamente seria eleito presidente. Não com folga, imagino. A rejeição ao seu nome não é pequena. Ao contrário, todas as pesquisas demonstram ser um dos nomes líderes no item “em quem você não votaria de jeito nenhum?”.

Ainda assim, sua liderança folgada e a identificação popular, num cenário de tantas incertezas, o conduziriam novamente ao Planalto. A questão é que o substituto não é Lula.

Acredito que no fim das contas isso pesará. Haddad só “é Lula” no sentido figurado. Como Dilma “foi Lula” sem jamais sê-lo. Isso será explorado pelos adversários, inclusive devem abusar da comparação com a tragédia do Governo Dilma. Nessa hora, imagino, não haverá pudor em apontar que o eleitor não estará votando em Lula. E, sim, o eleitor que assim optar votará em Alckmin (não em Serra, Aécio ou FHC).

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É isso… ou não.

Todas essas previsões podem não se concretizar, sem dúvidas. À exceção da primeira, não passam de suposições.

Pode ser que minha bola de cristal esteja nebulosa, bloqueando a visão do que realmente acontecerá, mas é a maneira que prevejo o resultado das eleições, com base nos movimentos dos candidatos.

A conferir.

Diego Cabús