Exatamente às 21 horas do sábado (23), a cantora Fernanda Abreu, ex-vocalista auxiliar da Blitz, e há três décadas devidamente emancipada, subiu ao palco, embalando jovens e uma galera que já passou dos quarenta carnavais, no segundo dia de espetáculos do Festival da Primavera 2017, em Salvador. “Este era o momento que esperávamos. Não é todo dia que a cidade recebe artistas deste naipe em um mesmo evento, e é justamente esta diversidade que buscávamos”, comentou o agora dançarino Wagner, que ensaiou os primeiros passos ao som do funk cheio de charme da artista carioca.

 

“Sossega que a chuva está aí para abençoar”, determinava Fernanda Abreu no bairro mais boêmio da cidade, entre as frases enfáticas de “Outro sim”, carro-chefe de seu mais recente trabalho, o álbum “Amor Geral”, lançado em 2016. Para o público soteropolitano que lotava a Mariquita, e ainda embalada pelo êxito apresentado no último final de semana, no Rock in Rio, Fernanda Abreu trouxe todo o veneno carioca para o Largo da Mariquita, e não decepcionou.

 

Na lista dos melhores CDs de 2016, o álbum mais recente de Fernanda Abreu já foi devidamente testado no Palco Sunset do Rock In Rio 2017, no último dia 15. “Estou chegando a Salvador com este disco muito bem recebido em cidades como Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília e Manaus, e estou muito contente por voltar a trazer um trabalho inédito para cá”, lembrou a cantora, segundos antes de subir ao palco. Acompanhada de músicas como “Eu vou torcer”, de Jorge Benjor, e “Kátia Flávia, a Godiva do Irajá”, de Fausto Fawcett, a cantora deu tons de discoteca e um ritmo quente e dançante à estação das flores que se inicia.

 

Fernanda e banda fizeram o público dançar com “Veneno da lata”, “Rio 40 Graus”, “Dance dance”, “Garota sangue bom”, “Da lata” e “Brasil é o país do suingue”. A partir daí, um, dois, três, incontáveis sucessos foram lançados ouvido adentro, enquanto gente que acompanhou as diversas fases da carreira da artista dançava e cantava ao som das canções que ainda soam frescas, como a nova estação. “A cidade só tem a ganhar com uma festa tão diversa quanto esta. E isso mexe com inúmeros setores, desde a área cultural, que é a primeira a ser notada, até a movimentação de cunho social, pois faz com que pessoas de origens e locais diferentes interajam, influindo também na economia, pois a atração dessas pessoas aumenta a frequência em bares, restaurantes e demais estabelecimentos comerciais, também ocupa-se mais ruas e praças da cidade”, reconhece o engenheiro Dario Marchesini, 57, que veio ao Largo da Mariquita acompanhado da esposa Cássia.

 

“O festival transcorre em um clima de muita paz. Além da apresentação aqui do Rio Vermelho, tivemos Rafa e Pippo e Duas Medidas na Ribeira, fazendo shows maravilhosos que nem a chuva conseguiu afastar. Tivemos a honra de abrigar o espetáculo comemorativo aos trinta anos de carreira do maestro Luciano Calazans, que é uma pessoa que sempre participa dos eventos da Prefeitura. Portanto, nossa alegria é por termos conseguido manter a qualidade do evento, com uma qualidade de público, e nesse ritmo esperamos fechar o festival com chave de ouro, neste domingo (24)”, declara Isaac Edington, presidente da Empresa Salvador Turismo (Saltur), organizadora do evento.

 

Domingo, no Festival da Primavera,  o cantor Saulo subiu ao palco com seu show Pé de Maravilha. Com o tema “A Floresta”, o público curtiu canções desde saltimbancos até cantigas populares, passando por composições próprias e agraciando a garotada e também os adultos de todas as idades.