Maria Eduarda Vieira, de 11 anos, saiu logo da sala do 6º ano da Escola Municipal de Pituaçu quando a professora chamou para assistir a uma apresentação de teatro e música no auditório. Sentou na primeira fileira e ficou atenta, esperando a apresentação do coletivo Histórias de Raiz, que interpretam e cantam contos da cultura africana. “Acho importante porque devemos saber mais coisas sobre nossa própria cultura, né?”, comentou. O show era para lançar o primeiro kit de jogos educativos Kaê Erê (Ler Criança).

A ideia da brincadeira, desenvolvida pela Gerência de Bibliotecas e Promoção do Livro e Leitura da Fundação Gregório de Mattos (FGM), é desenvolver nos alunos o gosto pela literatura, além de ensinar sobre a cultura africana. “Identificamos a carência da literatura de matriz africana, tanto nas escolas, quanto nas bibliotecas públicas. O objetivo é levar às crianças o conteúdo da literatura de matriz africana através dos jogos porque fica mais lúdico para aprender”, explica Jane Palmas, gerente de Bibliotecas e Promoção do Livro e Leitura da FGM.

O kit é dividido em dois jogos: Yoté, para estudantes do Fundamental II; e Shisima, para os alunos que cursam o Fundamental I. No primeiro, a brincadeira pode ser feita por dois ou mais jogadores, e é encontrado em vários países da África Central. O jogo começa com as peças fora do tabuleiro, e, a medida que se responde as perguntas das cartas, é dado a vez para cada jogador posicionar a peça onde quiser. O objetivo é passar por cima da peça do oponente para captura-la, ou encurralar para que não possa movimentar.

Já o Shisima é um jogo muito utilizado no Quênia. A lógica da brincadeira é semelhante ao jogo da velha. Porém, neste tenta-se impedir que o adversário alinhe suas peças em uma das diagonais do tabuleiro octagonal. É uma atividade que envolve estratégia, raciocínio e antecipação.

Boa recepção – A vice-diretora da escola, Humbelina Silva, esteve presente na entrega do kit e ficou muito empolgada. Ela acredita que a brincadeira será bem aceita pelos alunos. “Acho que toda atividade que pode alinhar com a pedagogia é produtiva. Cada dia mais eles têm outras demandas, então temos que alinhar esse tipo de atividade com outras habilidades”, conta.

Maria Luíza Moreira, 12, também aluna do 6º ano, parece ser a prova do que disse a vice-diretora. Ela deixa claro que vai jogar, sim, e para ganhar. “Eu achei muito legal porque você pode se divertir com amigos e aprender brincando. Eu sou muito competitiva”, diz.

O novo kit de jogos integra o programa de arte-educação Caminhos da Leitura, da FGM, que visa incentivar o hábito e o prazer da leitura, com circulação de livros, exposições, contação de histórias, encontros com escritores, oficinas de produção de bonecos e apresentação de Contos Cantados em escolas, bibliotecas e praças da cidade.

Em 2017, foram executadas 24 ações de promoção da leitura desenvolvidas em 28 dias, no período de 16 de outubro a 28 de novembro. Em 2018, a fim de dar continuidade às práticas de incentivo ao hábito da leitura, foi iniciado o projeto Sacola Literária: uma sacola que carrega livros para escolas, praças e bibliotecas da cidade, contando a história de Salvador, com assuntos a serem trabalhados dentro de um calendário temático e priorizando autores baianos, através de performances educativas e interativas em parceria com o Projeto Dom Quixote.