O ônibus do consórcio OT Trans (cor verde), do sistema Integra, que fazem linha na região do miolo da cidade estão sem circular na manhã desta quarta-feira (16). Cerca de 900 coletivos ficaram nas garagens e só saíram após as 8h. De acordo com o sindicato dos rodoviários, quatro garagens participam da paralisação. A frota total na cidade é de cerca de 2.500 coletivos.

Os ônibus da OT Trans contemplam as áreas entre Mussurunga e Pernambués, incluindo Cajazeiras e Pau da Lima.  Os bairros do Cabula e Narandiba também foram afetados com a paralisação.

Já os coletivos dos consórcios Plataforma (amarelo), que circula no Subúrbio, e Salvador Norte (azul), que circula no Centro/Orla, estão circulando normalmente.

“Pedimos desculpas por chegarmos em uma situação dessa, mas não tem mais diálogo. Não temos outra alternativa ao não ser protesta”, disse o presidente do Sindicato dos Rodoviários, Hélio Ferreira, em entrevista à TV Bahia.

Algumas linhas dos outros consórcios foram remanejadas para atender a população. Coletivos que iam pra Tancredo Neves, Barroquinha foram remanejadas para o Cabula, Saboeiro, e atender a demanda dos passegeiros.

 

De acordo com a categoria, a paralisação é uma forma de pressionar o sindicato patronal para negociar os salários da categoria. Há uma rodada de negociação entre representantes da categoria e dos empresários prevista para ocorrer às 10h desta quarta-feira, no Ministério Público do Trabalho (MPT).

O secretário municipal de Mobilidade, Fábio Mota, informou que se os ônibus não cumpriram o horário previsto em contrato, as empresas serão multadas.

“Até agora tivemos a habilidade de fazer uma campanha sem atingir a população direta ou indiretamente. Mas chegamos ao dia 15 e não há nenhum movimento dos empresários em negociar. Essa preocupação só surge quando atingimos a população. Infelizmente esse é o único mecanismo que temos para chamar a atenção do Ministério Público do Trabalho, do Ministério Público e dos empresários. Esgotaram todos os calendários de negociação”, alega o diretor adjunto do departamento jurídico do Sindicato dos Rodoviários, Pedro Celestino.

Ele informa que o sindicato não quer conceder nenhum aumento e que a categoria reivindica um reajuste de 5%. “Eles alegam que estão com dificuldades de operar, que tiveram um prejuízo de R$ 280 milhões no período de um ano”, explica Celestino. O número foi corrigido pelo Consórcio Integra.

Procurado pelo CORREIO, o assessor de relações de trabalho do Consórcio Integra, Jorge Castro, explicou que de fato não foi feita nenhuma proposta à categoria até agora por conta dos prejuízos que, segundo ele, as empresas estão tendo. “Foram R$ 334 milhões em um ano e só esse ano já foram R$ R$ 113 milhões. Como se negocia assim? Vamos ser se amanhã (quarta), no Ministério Público do Trabalho surge alguma luz”, diz.

Fábio Mota informou que está acompanhando o impasse entre os rodoviários e as empresas e que a secretaria está mediando para evitar que haja uma greve de ônibus em Salvador. “Já instalei mesas de negociação e estamos evitando que haja um greve”, disse.

Fonte: Correio – Foto: Mauro Akin Nassor