Os irmãos empresários Joesley e Wesley Batista, donos da JBS e FB Participações, tornaram-se réus nesta segunda-feira (16/10), após a Justiça Federal em São Paulo aceitar denúncia contra os dois, que estão presos desde setembro no âmbito da operação Lava Jato.

A 6ª Vara Federal Criminal de São Paulo aceitou hoje a denúncia oferecida no dia 10/10 pelo Ministério Público Federal (MPF). A denúncia ocorreu um dia após a Polícia Federal (PF) entregar à Procuradoria-Geral da República o relatório final da Operação Tendão de Aquiles, que investigou e incriminou os empresários.

Os investigadores afirmam que os irmãos Batista se beneficiaram de informações relacionadas ao acordo de colaboração premiada firmado com a PGR, para obter lucro no mercado financeiro.

No dia 07/03 Joesley Batista gravou uma conversa que tece com o presidente Michel Temer. Ainda no dia 28/03 o empresário firmou acordo de delação premiada, o qual foi homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no dia 11/05. Dois dias depois informações sobre o acordo vazaram.

Segundo a PF, às vésperas do dia 17/05 o grupo empresarial dos Batista comprou US$ 1 bilhão. A JBS confirmou que comprou dólares no mercado futuro horas antes da divulgação da notícia de que seus executivos fizeram delação premiada.

O dólar disparou no dia seguinte, subindo mais de 8%, o que resultou em ganhos milionários à empresa. Segundo a PF, Wesley e Joesley praticaram o chamado “insider trading”, que é o uso de informações privilegiadas para lucrar com operações no mercado financeiro.

Por meio de nota emitida à imprensa na tarde deste terça, a JBS afirma que “as operações de recompra de ações e derivativos cambiais em questão foram realizadas de acordo com perfil e histórico da Companhia que envolvem operações dessa natureza. Tais movimentações estão alinhadas à política de gestão de riscos e proteção financeira e seguem as leis que regulamentam tais transações”.