A morte da turista espanhola  María Esperanza Jiménes Ruiz, de 67 anos, nesta segunda-feira (23/10), na favela da Rocinha, no Rio de Janeiro, decorrente de desastroso procedimento de abordagem feito por policiais militares, repercutiu na imprensa internacional. Na Espanha, por exemplo, os principais jornais deram destaque para o fato em suas manchetes.

María Esperanza tinha de 67 anos, era uma conhecida empresária do ramo imobiliário na pequena cidade de Porto de Santa Maria, na Andaluzia, região ao Sul da Espanha, com cerca de 90 mil habitantes. Nesta terça, a prefeitura local decretou luto oficial por sua morte.

A vítima, com amigos, visitava a Rocinha, quando foi morta com um tiro de fuzil disparo por um PM. Os policiais envolvidos na abordagem alegam que o veículo onde estava a turista não obedeceu ordem de parar. Os amigos de María Esperanza afirmam discordam dessa versão.

Por meio de nota à imprensa, a PM afirmou que seus procedimentos de abordagem não foram respeitados. “Em casos como o que ocorreu nesta data, os policiais não devem efetuar disparos, mas sim perseguir o veículo que não obedeceu a ordem de parar e bloquear sua passagem assim que for possível. A razão pela qual o procedimento não foi cumprido é também objeto da investigação em curso”.

A Corregedoria da Polícia Militar prendeu em flagrante dois policiais envolvidos no ocorrido: um soldado e um oficial. O motorista e uma turista que estava no veículo disseram que não viram nenhum bloqueio policial.

A comoção causada pela morte de María Esperanza em Porto de Santa Maria ganhou destaque na edição de hoje do jornal espanhol El País. O periódico citou a discordância entre as versões dos policiais militares envolvidos no caso.

Já o jornal El País destacou a gravidade das tensões que fazem parte do dia a dia da favela carioca, decorrente do conflito armado entre narcotraficantes.

O El Mundo noticiou, em sua página na internet, que o soldado e o tenente foram presos e ressalta as observações feitas pela Polícia Militar sobre os erros na abordagem policial que resultou na morte da empresária espanhola.

Na França, o destaque ficou por conta da abordagem feita pelo jornal Le Figaro, sobre a morte de María Esperanza. No texto o periódico diz que “a polícia do Rio de Janeiro anunciou hoje que mataram acidentalmente uma turista espanhola visitando uma favela onde dois agentes ficaram feridos em confrontos com traficantes algumas horas antes”.

Outro que tratou da morte de María Esperanza foi o periódico português Diário de Notícias. Além de destacar que a Rocinha é uma das favelas que mais sofrem com o aumento da violência no Rio de Janeiro.

O Diário de Notícias acrescentou ainda que “diante da incapacidade da polícia local para controlar a situação, o governo federal enviou em agosto deste ano 8.500 militares para impedir conflitos entre os traficantes que disputam o controle das favelas”.

O britânico The Guardian publicou a matéria “Brazil police shoot dead Spanish tourist in Rio de Janeiro favela” (“Polícia do Brasil mata a tiros turista espanhola em favela do Rio de Janeiro”). O periódico frisa que ela foi a terceira turista morta em favelas do Rio em menos de um ano.

Nos Estados Unidos o The New York Times também abordou o assunto, replicando matéria distribuída pela agência de notícias Reuters.

Na Argentina o Clarín publicou matéria intitulada “Una turista española murió baleada por la policía en Río de Janeiro” e acrescentou que a Rocinha registra “intensos tiroteios há várias semanas”.

 

Fonte: Agência Brasil