Em sua coluna Painel, na Folha de S.Paulo, desta terça-feira (05/09), a jornalista Daniela Lima diz que a suspeita de que o ex-procurador Marcello Miller atuou dos dois lados do balcão — municiando investigados com informações em uma frente e liderando apurações na outra — coloca em xeque não só a delação da JBS, mas ao menos dois outros acordos que ele capitaneou e que se desenrolaram em molde semelhante ao dos irmãos Batista.

Lembra ainda que Sérgio Machado e Nestor Cerveró também conquistaram o título de colaboradores após gravarem, de maneira oculta, políticos e autoridades.

Diante dos novos a “gravíssimos fatos” (assim o procurador-geral de República, Rodrigo Janot, os classificou) os políticos que foram alvo da delação da JBS partirão para a tese de que os flagrantes obtidos pela PGR foram armados por Miller em parceria com os irmãos Batista, o que poderia anular o acordo.

Miller era integrante da força-tarefa da Lava Jato e homem de confiança de Janot. Diante disso, o trabalho do procurador-geral também será questionado. Investigadores da Polícia Federal já diziam, antes da explosão do escândalo envolvendo Miller, que o prazo em que a delação da JBS foi fechado era “atípico”.

Cerveró, um dos mais envolvidos no crime de corrupção na Petrobras, mencionou o nome de Miller, durante depoimento em junho de 2016. Segundo a coluna, ao explicar o contexto da gravação que seu filho fez com o ex-senador Delcídio do Amaral — determinante para ele conseguir a delação — disse que “o Marcelo falou (…): ‘só com seu depoimento não vou reabrir o caso’”.

Depois, Cerveró afirmou que a iniciativa de grampear Delcídio foi de “Bernardo com a — vamos lá — com a sugestão do próprio procurador”. Interpelado, voltou atrás. Disse ter se expressado mal.

Marcelo Miller – Foto: Alex Lanza/MPMG