O sorteio da Copa do Mundo Rússia 2018 reservou ao Brasil, cabeça de chave do grupo E, dois rivais europeus e a equipe que desbancou grandes potências no último Mundial.

A estreia da seleção brasileira será no dia 17 de junho, em Rostov, contra a Suíça, que chegará ao torneio cercada de expectativas pela evolução apresentada pelo time dirigido por Vladimir Petkovic.

Os comandados de Tite ainda encaram Costa Rica e Sérvia. Em parceria com o The Guardian, o EL PAÍS apresenta uma análise, elaborada por jornalistas baseados em cada país participante, do Brasil e seus adversários na fase de grupos:

BRASIL – Tite não tem nem 20 jogos no cargo, mas o renascimento de uma equipe sem rumo, traumatizada e sob a pressão da Copa do Mundo de 2014 foi tão surpreendente que o Brasil volta a estar entre os favoritos ao título.

O treinador acrescentou muito em pouquíssimo tempo: implementou seu sistema tático favorito, o 4-1-4-1, e controlou meticulosamente a falta de ritmo de jogo de alguns jogadores que pouco atuam por seus clubes.

Acomodou Neymar na esquerda, Casemiro no eixo e Gabriel Jesus no centro do ataque, além de obter o melhor de Daniel Alves e Marcelo como laterais que sobem ao ataque. Renato Augusto é outro jogador que está em seu melhor nível e Paulinho, um dos jogadores prediletos de Tite, foi muito bem-sucedido ao trocar a China pelo Barcelona.

Esse processo, no entanto, também traz riscos. Além dos 11 titulares habituais, a seleção não tem um banco de reservas tão bom. Além de Willian e Firmino, o treinador não parece ter esperança em outros jogadores. Um enorme progresso foi feito, mas talvez o Brasil necessite de mais opções no banco se quiser ir longe.

SUÍÇA – Surpreendentemente, não houve muita euforia quando a Suíça se classificou para a Copa do Mundo depois dos dois jogos da repescagem contra a Irlanda do Norte. Os suíços parecem ter se acostumado que seu time jogue os grandes torneios e as expectativas aumentaram.

Consequentemente, os suíços esperam que o time chegue às oitavas de final na Rússia, e talvez mais longe. “Este grupo tem um excelente espírito de equipe, eles são muito positivos e têm uma tremenda vontade de ganhar”, diz o treinador Vladimir Petkovic. “A equipe sempre quer alcançar os objetivos mais altos”.

Será interessante ver como a Suíça se sairá enfrentando times melhores, porque eles são muito bons em adaptar seu jogo em função do adversário, como fizeram na Copa do Mundo de 2014, quando quase eliminaram a Argentina nas oitavas.

Granit Xhaka, do Arsenal, é o coração da equipe e aquele que dita o ritmo de jogo. Com jogadores criativos e rápidos como Xherdan Shaqiri (Stoke City) e Steven Zuber (Hoffenheim), a Suíça sempre pode criar algo pelas laterais, especialmente porque os pontas recebem a cobertura de laterais muito fortes: Stephan Lichtsteiner, da Juventus, na direita e Ricardo Rodríguez, do Milan, na esquerda.

Com Fabian Schär e o jovem Manuel Akanji, agora também conta com sólidos zagueiros. A parte mais fraca da equipe é o ataque, quase sempre ocupado por Haris Seferovic. Se não recebe bolas, o jogador do Benfica fica muitas vezes totalmente desconectado do jogo.

COSTA RICA – A Costa Rica foi sensação há quatro anos, chegando às quartas-de-final do Mundial no Brasil. O desafio, agora, é repetir a façanha. Óscar Ramírez substituiu Jorge Luis Pinto como técnico e a seleção mostrou nas Eliminatórias que é a nova equipe a ser vencida dentro da Concacaf, depois de garantir sua passagem para a Rússia quando ainda faltavam duas partidas para disputar.

Ramírez deu continuidade ao sistema 4-5-1 que funcionou tão bem com Pinto. É uma tática que exige bastante de Bryan Ruiz (Sporting) e Celso Borges (La Coruña), que é filho do treinador brasileiro Alexandre Guimarães. Ruiz é a principal referência no ataque e Borges está presente para proporcionar um equilíbrio à equipe no meio de campo.

O goleiro do Real Madrid Keylor Navas é a estrela do time ao lado de Marco Ureña, que joga pelo San Jose Earthquakes, da Major League Soccer (MLS) e proporciona mais força ao ataque. A Costa Rica terá de lutar para voltar a estar entre as oitos melhores seleções do Mundial, mas tem qualidade para passar pela fase de grupos e chegar às etapas decisivas.

SÉRVIA – A Sérvia se classificou para seu primeiro grande torneio em sete anos com grande desempenho. Com apenas uma derrota em 10 partidas, a seleção sérvia venceu na última hora Gales, semifinalista da Euro 2016 e uma resiliente Irlanda, para ficar em primeiro lugar no Grupo D das Eliminatórias da Copa do Mundo, mas isso, no final, não foi o bastante para Slavoljub Muslin manter o emprego.

O conflito do experiente treinador de 64 anos com o presidente da Federação Sérvia de Futebol, Slavisa Kokeza, sobre o estilo de jogo e a escalação da seleção – com o meio-campista Sergei Milinkovic-Savic, astro da Lazio, no epicentro – levou Muslin a ser mandado embora.

Mladen Krstajic assumiu como interino no lugar de Muslin e imediatamente convocou Milinkovic-Savic para a seleção nos amistosos de novembro. O jogador da Lazio retribuiu o crédito com duas performances excelentes e uma assistência, enviando assim uma mensagem clara a Slavoljub Muslin de que podem confiar nele para conduzir a estrelada – mas envelhecida – equipe sérvia.

Fonte: El País