Além de reafirmar que pagou despesas milionárias do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), cassado e preso no âmbito da Operação Lava Jato, o corretor de valores Lúcio Funaro desafiou Cunha, nesta terça-feira (31/10), a realizar juntamente com ele um teste em um aparelho detector de mentiras. Segundo Funaro, seria uma maneira de comprovar que diz a verdade perante a Justiça.

O interrogatório ocorreu em Brasília, na ação penal da Operação Sépsis, e Funaro ficou irritado com as perguntas do advogado de Cunha Délio Lins e Silva Júnior, as quais chamou de repetitivas.

Funaro ainda afirmou, antes de acabar o seu depoimento, que estava disposto a se submeter a um polígrafo, equipamento de detecção de mentiras, para repetir as acusações que fez contra o ex-amigo Eduardo Cunha.

“Estou à disposição para fazer um teste de polígrafo junto com o deputado Eduardo Cunha para acabar com esse negócio de que sou mentiroso”, afirmou Funaro com a voz elevada. Sentado de frente para seu ex-operador financeiro, Cunha se manteve calado e não esboçou reação.

O ex-operador financeiro de Cunha afirmou ter como provar suas declarações. “Tenho como provar como gerei o dinheiro, como paguei, que eu paguei o advogado dele na Suíça, tenho todas essas provas. Aí eu quero ver como ele vai negar”, disse.

“O deputado Eduardo Cunha alugou um flat na mesma rua que a minha para pegar dinheiro no meu escritório, levar pro flat e de lá distribuir dinheiro de propina”, acrescentou.

Após o interrogatório de Funaro, Cunha deu uma breve declaração aos jornalistas, voltando a negar todas as declarações de seu ex-operador-financeiro. “[Ele não disse] nada do que já foi falado, ele tem que sustentar a mentira dele”, acusou Cunha.