Convidado pela Folha de S.Paulo para representar os laboratórios públicos brasileiros no Fórum Medicamentos Biológicos e Biossimilares, promovido pelo jornal paulista, em São Paulo, o diretor-presidente da Bahiafarma, Ronaldo Dias, expôs a importância das Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDPs) e dos processos de transferência de tecnologia para o desenvolvimento do Complexo Industrial da Saúde no País.

Além disso, Dias defendeu enfaticamente a estruturação dos laboratórios públicos nacionais, como um dos pilares para o funcionamento do Sistema Único de Saúde (SUS). “Como estaria o Brasil no combate à febre amarela se não fossem os laboratórios públicos?”, indagou.

Participante da mesa ‘A produção brasileira de medicamentos biológicos e biossimilares’, ao lado de expositores como o diretor da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde, Rodrigo Silverstre, e do presidente-executivo do grupo FarmaBrasil, Reginaldo Arcuri, Dias teve como principal argumento o próprio exemplo da Bahiafarma.

O laboratório baiano tem parceria com o laboratório coreano GenBody na produção de testes de diagnóstico e é o principal fornecedor do Ministério da Saúde para esse tipo de produto para a saúde. Também se prepara para iniciar o fornecimento de insulina para o SUS, por meio de uma PDP com o laboratório ucraniano Indar. O acordo foi motivo de comentários dos outros participantes do debate. “O Brasil já chegou a produzir insulina, mas perdeu essa produção e, depois, o preço (do medicamento) dobrou, triplicou, ‘decuplicou’”, lembrou Arcuri. “É extremamente importante que o Brasil volte a produzir insulina.”

Também presidente da Associação dos Laboratórios Farmacêuticos Oficiais do Brasil (Alfob), Ronaldo Dias ressaltou a importância da atuação dos laboratórios públicos não apenas no contexto do SUS, mas como um agente de controle de custos sociais. “Pegando esse exemplo da febre amarela, que está em destaque hoje: a vacina é feita pela Bio-Manguinhos, que é um laboratório público, os testes rápidos de diagnóstico são feitos pela Bahiafarma, que é um laboratório público”, argumentou. “Todas as ferramentas de combate a essa e a outras doenças são produzidas e disponibilizadas por laboratórios públicos.”

Dias ainda enfatizou o papel dos laboratórios oficiais na fabricação de medicamentos e produtos para a saúde que não atraem interesse da indústria privada, por pouca demanda ou por baixos preços de mercado. “Se não houvesse laboratórios públicos atuando em áreas que talvez não sejam interessantes para as entidades privadas, teríamos alto prejuízo financeiro, alto custo social e muitas perdas evitáveis de vida na saúde pública brasileira.”

Foto: Ascom Sesaba GOVBA