Os Estados Unidos anunciaram, hoje (12), que vão se retirar da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), anunciou o Departamento de Estado. De acordo com a gestão do presidente Donald Trump, a agência está necessitando de uma reforma interna e adota um viés anti-Israel, além de ter dívidas elevadas. Washington afirmou que pretende estabelecer uma missão de observação no órgão da ONU em substituição a sua representação nela, informou a porta-voz do Departamento de Estado, Heather Nauert.

Os Estados Unidos cortaram o financiamento à Unesco, após o órgão decidir incluir a Autoridade Palestina como um membro em 2011, mas o Departamento de Estado manteve seu escritório na sede da agência em Paris, na tentativa de avaliar as políticas definidas. Autoridades americanas, incluindo a embaixadora americana na ONU, Nikki Haley, já emitiram repetidas condenações a Unesco.

“Essa decisão não foi tomada levemente, e reflete as preocupaçõe dos Estados Unidos com o aumento das dívidas na Unesco, a necessidade de reformas fundamentais na organização e o continuo avanço anti-Israel na Unesco”, disse o Departamento, acrescentando que os Estados Unidos buscaram “permanecer engajados (…) como um Estado não-membro observador para contribuir com as visões, perspectivas e expertise americanas.

A diretora-geral da Unesco, Irina Bokova, afirmou que a medida americana marca uma perda para o multilateralismo e para família ONU. A entidade lamentou a saída dos Estados Unidos.

“Após receber uma notificação oficial do secretário de Estado dos Estados Unidos, Rex Tillerson, como diretora-geral da Unesco, gostaria de expressar profundo pesar sobre a decisão dos Estados Unidos da América de se retirarem da Unesco”, disse Bokova em comunicado. “A universalidade é essencial para a missão da Unesco de construir a paz e a segurança internacionais em face do ódio e da violência através da defesa dos direitos humanos e da dignidade humana”.

Não é a primeira vez que o governo americano decide abandonar a Unesco. O ex-presidente Ronald Reagan tomou essa medida em 1984, afirmando que a agência era a favor da União Soviética. Algum tempo depois, no governo de George W. Bush, em 2002, os Estados Unidos voltaram a se associar à agência da ONU.

Logo após a Segunda Guerra Mundial, foi fundada a Unesco que vinha com o objetivo de garantir a paz através do livre fluxo de ideias e da educação.