Responsável pela geração de renda de milhares de agricultores familiares do semiárido baiano, o licuri é a estrela da 10ª edição da Festa do Licuri, que teve início no sábado (19), na comunidade Quilombola de Várzea Queimada, no município de Caém, no Território de Identidade Piemonte da Diamantina. Com muita festa, música e animação, produtores de licurizeiros da região estão reunidos, até este domingo (20), para promover o fruto que é considerado o ‘Ouro do Sertão’.

A 10ª edição da Festa do Licuri atiça os sentidos. Por toda a parte é possível ver pés de licurizeiros que enfeitam o local naturalmente. O aroma natural exala por todos os cantos e o sabor aguçado do fruto é degustado nas mais inusitadas receitas. No centro da comunidade, uma exposição com uma variedade de produtos derivados do licuri, a exemplo do licor, farinha, bolo, azeite, doces, geleias, além do licuri in natura e caramelizado estão entre as iguarias comercializadas no local, que expressa o potencial do fruto. Também é possível encontrar artesanato feito com a palha da planta.

O evento tem o objetivo de dar visibilidade aos potenciais naturais existente no semiárido, resgatar a cultura regional, preservar e replantar os licurizeiros, promover um espaço de relações comerciais e troca de conhecimentos, além da valorizar o licuri como importante produto para a segurança alimentar e geração de renda para agricultores familiares e para a economia do estado.

A festa é uma iniciativa da Cooperativa de Produção da Região do Piemonte da Diamantina (Coopes), instituição formada por agricultores e agricultoras familiares, organizados em grupos comunitários de produção, que possuem o licuri como ‘carro-chefe’ das suas atividades produtivas. O evento tem o apoio do Governo do Estado, por meio da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), empresa vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR).

Para a agricultura Ivonete Souza, da Associação de Desenvolvimento Comunitário do Poço, de São José do Jacuípe é uma alegria participar desse tipo de evento. “Nasci e me criei no meio dos licurizeiros. Tiro meu sustento e minha renda da produção do licuri. Trazer esse fruto nativo para essa festa faz com que ele seja reconhecido por outras pessoas e regiões”.

A artesã Carmem Vera, de Capim Grosso, levou para o evento mais de 25 tipos de produtos, como jogo americano, boleira, cestas, jarros, porta-joias, chapéus e bolsas. “Vivo do licuri. Tem mais de 18 anos que trabalho fazendo artesanato de palha de Licuri. Esse tipo de evento impulsiona nossas vendas. No primeiro dia já vemos o resultado”.

Durante os dois dias do evento, estão sendo realizadas capacitações sobre os processos tecnológicos para as diversas utilidades econômicas do licuri, intercâmbio entre comunidades produtoras, apresentação das mais variadas formas de aproveitamento do licuri e socialização de conhecimentos e técnicas de preservação desse patrimônio natural da caatinga, entre outras atividades.

O evento tem, nessa edição, a presença de uma expedição de chefs de cozinha, em parceria com o projeto Bahia Produtiva/CAR. Durante o evento acontecerão também os concursos Comida com Gosto de Licuri, e o de Quebra do Licuri, além de desfile de moda.

A Festa do Licuri é um espaço que integra diferentes atividades como exposições, demonstrações de várias tecnologias, debates e construções de políticas públicas, expressões culturais, riquezas da culinária regional e intercâmbios dos saberes populares e científicos. Constitui-se ainda como um espaço para discussão de outros valores de interesses sociais e ambientais para o semiárido.

Foto: André Frutuoso/ Ascom/SDR