A publicação de fotografias nas redes sociais, uma prática comum atualmente, tem sido útil na perícia de identificação de vítimas carbonizadas e corpos em avançado estado de decomposição. Neste contexto, o tema “Utilização de fotografias de sorriso em processos de identificação humana” foi apresentado na manhã de ontem (30), no Centro de Estudos do DPT, durante o Café com Ciência.

A técnica é uma das possibilidades de atuação da Odontologia-Legal e consiste na identificação das vítimas a partir da comparação entre a arcada dentária e os elementos que constam numa fotografia de sorriso. “Quando as fotos possuem qualidade de imagem e de informações para comparação, possibilitam levantar características úteis à individualização humana”, explicou o Perito Odonto-Legal, João Pedro Cruz.

O método pode ser utilizado nos casos de impossibilidade da identificação necropapiloscópica ou quando não existam prontuários odontológicos ante mortem para comparação. São procuradas características que individualizam a pessoa a exemplo de apinhamentos, fraturas, diastemas (espaços entre dentes), alterações de forma, de cor e tratamentos, como aparelhos ortodônticos, restaurações e próteses.

Nestes casos as análises odonto-legais estão associadas aos achados antropológicos que permitem a determinação de sexo, estimativa de idade e estatura. “A realização deste tipo de perícia depende da condição do corpo, da qualidade da imagem e da análise dos elementos antropológicos encontrados”.

O “Café com Ciência” acontece uma vez por mês e os temas discutidos são sugeridos pelas coordenações dos Institutos que compõem a Polícia Técnica. A atividade tem como objetivo integrar todos os profissionais das diversas áreas da perícia forense e é de iniciativo dos Peritos do Departamento de Polícia Técnica do Estado da Bahia.

 

 “Café com Ciência” (Foto: ASCOM/DPT)