A plateia dançou, cantou e se encantou na despedida do Projeto Concha Negra, que, na noite de domingo (4), levou à Concha Acústica do Teatro Castro Alves o bloco afro Malê de Balê e convidados. As Ganhadeiras de Itapuã abriram os trabalhos. Em seguida, durante o show principal, as cantoras Ellen Oléria e Mariene de Castro fizeram participações especiais.

Para a secretária estadual da Cultura, Arany Santana, o balanço do Concha Negra é extremamente positivo. “O projeto é um sucesso porque dá oportunidade a artistas emergentes de diversas linguagens e mostra a força dos blocos de matriz africana na Bahia. As letras das músicas, a estética dos blocos são divulgadas para um público que não estava acostumado. E hoje tivemos um púbico expressivo, apesar de tantos eventos sendo realizados na cidade. É mais uma prova do sucesso do Concha Negra”.

Professor universitário, Abraão Félix da Penha foi com mulher, o filho de 3 anos e mais três amigos, inclusive mais uma criança. “Este é um projeto que dá destaque à cultura de matriz africana, e nós procuramos passar isso para nossos filhos. Sempre que a gente pode, trazemos amigos, como hoje. O espaço é legal para trazer a família, gostoso, seguro e depois da reforma ficou melhor ainda”.

Resistência – Com repertório cheio de simbologias afrodescendentes, o Malê Debalê tem a missão de contar a história do povo negro e ser exemplo de resistência à dominação. Neste ano, o tema do bloco é ‘Nzinga, Jokanas e Francisca: Um poder Feminista’, que busca a conscientização social sobre o respeito ao gênero feminino com os exemplos de mulheres negras – a Rainha de Angola, Nzinga; as índias baianas representadas pelas Pataxós; Jokanas e a mulher de Itapuã com uma figura icônica, D. Francisquinha.

O presidente do Malê de Balê, Cláudio Araújo, disse que encerrar o Concha Negra é uma honra. “Aqui é nossa casa, nós reinauguramos a Concha. O resultado desse trabalho é um legado de pertencimento, que eu parabenizo em nome do Governo do Estado. Apresentar o Concha Negra é falar das origens. O legado disso tudo vem de um projeto anterior, das entidades de cultura de matriz africana, e que foi abraçado pelo Governo do Estado. E Acredito que hoje nós não estamos encerrando o projeto, mas abrindo caminho para uma segunda edição”.

A diretora artística do TCA, Rose Lima, informou que essa segunda edição já está encaminhada. “Estamos hoje fazendo a sexta apresentação dessa primeira temporada. Tivemos a casa cheia diversas vezes e isso é importante para dar vez e voz para as entidades afro dentro da Concha Acústica. Os blocos não surgem somente no Carnaval, mas eles existem o ano inteiro, inclusive com ações sociais dentro das suas comunidades. O projeto para a segunda temporada já existe e faremos em breve o anúncio”.

Convidados – Para Marienne de Castro, o projeto é muito importante, principalmente para o público de Salvador, mas tem repercussão maior. “Onde quer que a gente vá a gente canta, isso se desdobra para outros lugares do mundo. Pessoas do mundo inteiro vêm para Salvador e têm a oportunidade de ver um projeto desses. Acho que essa é a função, e eu fico bem contente de poder ver isso acontecendo em Salvador”.

A cantora brasiliense radicada em São Paulo Ellen Oléria, que também é ativista, diz que cantar no projeto Concha Negra é um privilégio, é beber da fonte. “Este é um espaço simbólico para a cultura de Salvador e a cultura de Salvador é referência para o país inteiro. Então, isso é muito poderoso, voltar à Concha e ser recebida pelo Malê de Balê. Esse é um oxigênio que nos renova. Eu acho que o Malê é muito disso, voltar às minhas raízes de uma maneira muito atual, é atualizar aqui e agora as nossas tradições”.

Foto: Carol Garcia / GOVBA Divulgação