Gravado numa conversa com o empresário delator da JBS Joesley Batista, combinando pagamento de propina, o ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços Marcos Pereira (PRB) saiu de férias nesta segunda-feira (09/10) sem se manifestar sobre o fato, cujo áudio foi divulgado pela revista “Veja”. O presidente Michel Temer e sua base aliada também nada falam, como se a conversa não houvesse existido. Enquanto isso, Marcos Pereira curte o feriadão…

Como é seu chefe imediato no governo, Michel Temer sabe da folga que o suspeito gozará pois foi o próprio presidente que assinou o despacho autorizando as férias de Marcos Pereira, cujo partido é importantíssimo na defesa do presidente com relação à nova acusação feita pela Procuradoria-Geral da República, ainda na gestão do ex-procurador-geral Rodrigo Janot.

No diálogo, Marcos Pereira cobra de Joesley Batista o pagamento de R$ 6 milhões. Diferentemente de Marcos Pereira, o dono da JBS está preso e pode perder os benefícios da delação, criticados pela opinião pública brasileira tão logo foram anunciados. Essa decisão caberá ao Supremo Tribunal Federal (STF).

O ministro, que é presidente nacional do PRB, disse, por meio de nota à imprensa, que não fará comentários sobre “pretensas gravações ilícitas” e que sua defesa se manifestará no STF para “mostrar sua inocência”.

A gravação na qual o ministro de presidente Michel Temer cobra propina do empresário delator foi entregue à Polícia Federal pelo próprio Joesley Batista. E, diferentemente da gravação que o dono da JBS fez do presidente Temer, a conversa com Marcos Pereira é audível, bastante clara e vergonhosa. Em outros países democráticos o caminho era um só: cadeia para os envolvidos.

Confira abaixa a transcrição do áudio que mostra a conversa entre o Marcos Pereira e Joesley:

  • Joesley: Deixa eu te falar, aqui, você lembra? Eu não lembro mais a conta… Como que era?
  • Marcos Pereira: Meia, cinco, zero…
  • Joesley: Como que era? Não…
  • Joesley: Quanto era o saldo? Não lembro mais…
  • Marcos Pereira: Da última vez…
  • Marcos Pereira: Ah, pera, não sei…
  • Joesley: Meia, cinco, zero… Ah…
  • Na conversa eles falam de valores maiores e o próprio ministro cita números:
  • Joesley: Dividido por 3? Um setecentos e trinta divido por três.
  • Marcos Pereira: Cinco, sete, meia…
  • Joesley: Mais umas três vezes nós mata essa p…
  • Marcos Pereira: Pode ficar tranquilo
  • Joesley: O fluxo caiu
  • Marcos Pereira: Imagino
  • Joesley: Cara, o fluxo caiu. A lojinha tá vendendo menos. E eu agora só tô pegando as lojinhas nossas, né?