Faltou tudo à seleção espanhola em sua curta campanha na Copa do Mundo. A elimição para a Rússia nos pênaltis, nas oitavas de final, exibiu todos os problemas da Espanha, que até 48 horas antes de sua estreia era considerada favorita a ganhar o Mundial.

Era impossível não apontar a campeão de 2010 como candidata ao bi em 2018. Talvez só a Alemanha tivesse à disposição tamanha quantidade de jogadores com tanto talento e tão acostumados a vencer. Em todas as posições do campo.

De Gea era o goleiro mais badalado do mundo até ontem; a zaga tinha ninguém menos que Piqué e Sergio Ramos; meio campistas como Busquets, Iniesta, Isco, David Silva, Thiago Alcântara, Asensio, Koke; um centroavante como Diego Costa.

O favoritismo também estava respaldado em resultados: 28 pontos em 30 possíveis nas eliminatórias (com a Itália no grupo) e uma série de 20 jogos seguidos fazendo pelo menos um gol, recorde que não era batido desde 1951.

O desmoronamento da Espanha começou dois dias antes da estreia contra Portugal, quando o Real Madrid anunciou a contratação do técnico Julen Lopetegui. A negociação foi tratada como uma traição imperdoável pelo presidente da Federação Espanhola, Luis Rubiales, que duas semanas antes havia renovado o contrato de Lopetegui até 2020.

Mal comparando, é como se o maior clube brasileiro (insira aqui seu preferido) anunciasse a contratação de Tite. E o presidente da CBF – se houvesse um – ficasse sabendo pela imprensa. Lopetegui, que conduzia com êxito um processo de transição no modelo de jogo da Espanha, foi demitido.

A solução encontrada foi efetivar Fernando Hierro, ex-craque do Real Madrid, que ocupava o cargo de diretor de seleções. Mal comparando outra vez, seria como efetiver Edu Gaspar no Brasil. Alguém que está dentro da estrutura, mas que não treinava o time.

Hierro não conseguiu continuar a mudança de estilo que Lopetegui operava. Quando tentou jogar de forma mais direta, a Espanha falhou. Quando tentou voltar ao estilo de posse e passe que caracterizou os times vencedores de 2008, 2010 e 2012, falhou também.

A partida contra a Rússia é especialmente simbólica. O time trocou mais de mil passes, teve a bola o tempo inteiro, mas o jogador mais talhado para este tipo de jogo não jogou durante 67 minutos. Iniesta viu do banco um time estéril, sem ideias, que não tentou nenhuma finalização nos primeiros 45 minutos de jogo. Nem um chutezinho de fora da área, nada, zero.

Sem técnico e sem estilo, a Espanha também não teve craques na Rússia. De Gea aceitou 10 dos 11 chutes (contando os pênaltis) que foram na direção de seu gol. Piqué e Sérgio Ramos não conseguiram conter Cristiano Ronaldo na estreia e nem os esforçados atacantes de Irã, Marrocos e Rússia. O meio de campo espanhol mostrou-se a área mais improdutiva de toda a Copa do Mundo.

Por fim, a Espanha também não pôde contar com seus brasileiros. Nas quatro partidas da Espanha, Thiago jogou 25 minutos, não deu nenhum passe decisivo. O centroavante Rodrigo Moreno teve 37 minutos; nenhum gol. Diego Costa até fez três gols na primeira fase, no fim das contas tão inúteis quanto os mais de mil passes trocados contra a Rússia.

Nesta segunda-feira a Espanha deixa sua base em Krasnodar num voo privado rumo a Madrid. A Federação ainda não decidiu quem será o técnico, nem se Hierro continua como diretor. A única certeza é o fim de um estilo e de uma geração que ganhou tudo entre 2008 e 2012.

Fonte: Globo.com – Foto: REUTERS/Maxim Shemetov