“Determinei hoje a abertura de investigação para apurar indícios de omissão de informações sobre prática de crimes no processo de negociação para assinatura do acordo de colaboração premiada no caso JBS”. Essa declaração do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, feita na noite desta segunda-feira (04/09) revela que podem sofrem uma grande reviravolta as investigações da Lava Jato sobre os crimes de corrupção praticados pelos irmãos Joesley e Wesley Batista, donos da JBS.

Segundo Janot, o acordo de delação com executivos da JBS, incluindo os irmãos Joesley e Wesley Batista, está sendo revisado e poderá ser anulado. “O MP atuou de boa fé. Se ficar provada qualquer ilicitude o acordo de colaboração premiada será reincidido”, ameaça o procurador-geral lembrando que “o MP tem uma mãe, que é a Constituição e a lei. E sob esse manto atuamos, independentemente de quem tenha agido.”

Ainda de acordo com Rodrigo Janot, os áudios periciados pela Polícia Federal, e que foram omitidos pelos irmãos Batistas, têm “conteúdo grave, gravíssimo”. Segundo Janot, os executivos da JBS erraram e devem pagar por isso, mas “não desqualificará o instituto (da delação premiada)”.

No inquérito contra Michel Temer, a delação dos empresários da JBS é peça fundamental. O procurador-geral defendeu a delação premiada como um instrumento importante para as investigações e afirmou que deve ser preservado em meio aos ataques que vem recebendo.