Raquel Dodge, subprocuradora-geral da República, foi escolhida pelo presidente Michel Temer para ser a substituta de Rodrigo Janot no comando da PGR. O mandato de Janot vai até setembro deste ano.

Da lista tríplice enviada a Temer pela Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) , o nome de Raquel Dodge estava na segunda colocação. A procuradora vai ser submetida a uma sabatina no Senado e precisará ter a indicação aprovada antes de ser oficializada no cargo. Sendo aprovada, tomará posse em setembro no lugar de Rodrigo Janot, e será a primeira mulher nomeada para o mais alto cargo da Procuradoria-Geral da República.

A lista tríplice da ANPR não tem previsão constitucional (a CF indica apenas que o Presidente tem de escolher um procurador da carreira e com mais de 35 anos), mas ganhou força nos últimos anos, tendo sido sempre respeitada pelos Presidentes da República, que, desde Lula, conduziram o mais votado entre os próprios procuradores ao cargo. Uma das polêmicas com a lista da ANPR é que só os procuradores da república (e não os procuradores do trabalho e os procuradores da Justiça Militar, também vinculados ao Ministério Público da União) votam, mas como a atividade essencial do PGR é semelhante à dos procuradores da república, a lista tríplice da Associação é justificada e representativa. O respeito à escolha da lista simbolizava maior independência da PGR em relação ao Executivo.

Ao indicar Raquel Dodge, experiente subprocuradora e Coordenadora da 2ª Câmara de Coordenação e Revisão (matéria criminal), Temer considera a lista tríplice, mas reitera a sua rixa com Rodrigo Janot, já que Dodge é opositora do atual PGR na política interna do órgão. O primeiro colocado da lista tríplice, Nicolau Dino, é do grupo político de Janot e foi preterido.

O que se espera, porém, é que Raquel Dodge, após aprovação no Senado, ignore as eventuais pretensões políticas de quem a indicou e siga conduzindo o órgão externamente de modo a combater a corrupção, inclusive aquela praticada no alto escalão da política. Não é outro o discurso da provável nova PGR, que afirmou à Folha “compromisso de integral e plena continuidade do trabalho contra a corrupção da Lava Jato, Greenfield, Zelotes e todos os demais processos em curso, sem recuar, nem titubear”.

Foto: ANPR