O mês de setembro é marcado em todo Brasil como período de referência à conscientização do Câncer Infantojuvenil. Nomeado de Setembro Dourado, é nesse mês que instituições de saúde, coordenadas pela Confederação Nacional das Instituições de Apoio e Assistência à Criança e ao Adolescente com Câncer (CONIACC), desenvolvem ações de sensibilização e alerta sobre a doença. Em Salvador, o Hospital Santa Izabel adere mais uma vez ao movimento e, durante todo o mês, terá iluminação especial, instalação de adesivos em áreas estratégicas e distribuição de materiais informativos e de laços dourados, símbolos da causa.

Atualmente, segundo dados do INCA, o câncer já representa a primeira causa de mortalidade por doença entre crianças e adolescentes de 1 a 18 anos no Brasil. São mais de 10 mil novos casos de câncer registrados nessa faixa etária no país todos os anos. Somente em 2017, o instituto estima a ocorrência de 12.600 novos casos de câncer na faixa etária de zero a 19 anos. Dessas ocorrências, os maiores percentuais de incidência ficam por conta da leucemia (26%), seguida dos linfomas (14%) e dos tumores do sistema nervoso central (SNC) (13%).

O médico oncologista do HSI, Bruno Costa, explica que a conscientização é fundamental nos casos de câncer na infância. “Quando se fala de câncer infantojuvenil, a palavra-chave é diagnóstico precoce. Os médicos e a população precisam estar cientes e alertas aos sintomas e sinais nas crianças e jovens, e, ao aparecimento de qualquer anormalidade recorrente, levar o paciente ao médico para uma investigação mais precisa. Hoje, o maior fator de mortalidade nos quadros de câncer em crianças e jovens, é diagnóstico tardio”, ressalta Costa.

Nesse cenário, o médico salienta que os cânceres infanto-juvenis podem se tornar complexos por conta da ausência de riscos externos, de exames específicos para detecção – como a mamografia e o exame de toque, que são realizados em adultos, por exemplo – e pelos próprios sintomas que os pacientes apresentam, que muito se assemelham aos sinais identificados em quadros mais simples, como de uma infecção. Dentre os sintomas que podem indicar um quadro cancerígeno, o oncologista ressalta febre, palidez, sangramento gengival, dor de cabeça e vômito matinal.

“O que observamos hoje é uma tendência de crianças irem direto para o pronto atendimento de emergência quando apresentam sintomas mais graves, ao invés de manterem consultas periódicas que poderiam identificar mais facilmente quadros agudos, como os de câncer. Quanto mais cedo esses casos forem identificados, maiores as chances de cura. De todos os casos identificados de câncer infantojuvenil, 70% são curáveis, desde que o paciente ainda não tenha apresentado metástase”, defende o médico.

Bruno Costa ainda alerta para quadros clínicos que devem manter um acompanhamento mais constante, como nos casos dos pacientes que apresentam síndromes de alterações genéticas. “Apesar de não apresentar fatores de riscos externos, quadros de câncer são mais comuns em crianças e jovens que já apresentam alguma predisposição genética identificada, como os casos de Síndrome de Down e Anemia Di Fanconi, por exemplo. Nessas situações, é mais importante ainda estar alerta para os sintomas”, enfatiza.

“A adesão à campanha do Setembro Dourado é uma das principais ferramentas usadas pela Santa Casa para alertar a população sobre a importância do diagnóstico precoce. Participamos ativamente dessa luta e queremos que a informação alcance o maior número de pessoas, pois acreditamos que essa é a forma mais efetiva de aumentar as chances de detecção inicial da doença e, consequentemente, a cura. Toda criança e adolescente merece essa chance”, ressalta o provedor da Santa Casa da Bahia, Roberto Sá Menezes, que também é presidente e fundador do Grupo de Apoio à Criança com Câncer da Bahia (GACC-BA).

No Hospital Santa Izabel as crianças que estão recebendo tratamento para câncer são acompanhadas por uma equipe multidisciplinar composta de oncologistas, onco-hematologistas, pediatras, odontólogos, psicólogos, terapeutas educacionais, assistentes sociais, fisioterapeutas, enfermeiros, farmacêuticos e brinquedistas. Aliado a isso, os pacientes internados podem frequentar a Escola Hospitalar, cujas atividades são ministradas por professores e pedagogos. A Santa Casa da Bahia dispõe também da Casa de Saúde Solange Fraga, que oferece hospedagem, seis refeições diárias, apoio psicossocial e demais necessidades para crianças e familiares oriundas do interior e em situação de vulnerabilidade socioeconômica durante todo o período de tratamento.

 

Hospital Santa Izabel  (Foto: Divulgação)