Único barco brasileiro a participar da Transat Jacques Vabre neste ano, o Mussulo 40 Team Angola Cables, conduzidos pelo baiano Leonardo Chicourel, 33 anos, e pelo angolano José Guilherme Caldas, 56, cruzou a linha de chegada no Terminal Náutico, no Comércio, em 11º lugar, nesta segunda-feira (27). Os atletas, que competiram na Class40, completaram o percurso de 8 mil quilômetros partindo de Le Havre, na França, até a Baía de Todos-os- Santos em 21 dias, 22 horas e 59 minutos de navegação.

Em entrevista coletiva à imprensa nesta tarde, Chicourel e Caldas se comprometeram a participar da Transat Jacques Vabre 2019 e falaram das dificuldades que tiveram na edição deste ano. Um dos problemas que prejudicou o desempenho da equipe, explicou José Guilherme, foi o pouco ritmo a bordo de uma embarcação que eles tiveram de alugar às vésperas do início da regata.

“Fomos impedidos de participar com um barco que temos. Em agosto decidimos que iríamos participar com um barco alugado (o atual Mussulo). Tivemos que transferir tudo do antigo barco para esse, tudo para não deixar de ter a participação brasileira nesse evento”, disse José, que é médico e mora no Brasil há 40 anos.

Até o dia anterior da largada, no último dia 5, a dupla trabalhou duro para se adequar à nova embarcação. “A nossa principal dificuldade na regata foi de se incorporar ao barco. Não tínhamos um preparo adequado. Mas uma decepção enorme, no segundo dia de competição, foi a quebra dos instrumentos. Não funcionava instrumento de vento, bússola de orientação, piloto automático. Decidimos então parar num porto em Camaret e descobrimos que o problema estava na estação de vento. Perdemos 30 horas nesse período”, completou o angolano.

O vencedor da Class40 foi o barco V and B, dos franceses Maxime Sorel e Antoine Carpentier. Eles cruzaram a linha de chegada na última quinta-feira (23). Caldas acredita que se não fosse pelos problemas técnicos o desempenho da dupla seria melhor. “Estaríamos entre o quinto e o sétimo lugar”.

Para o itabunense Leonardo Chicourel, a principal intenção em participar da Jacques Vabre 2017 foi ganhar experiência. “Não tínhamos nenhuma ilusão que iríamos ter um resultado melhor. Nosso objetivo era estar entre os 10 primeiros. Podemos dizer que estar na largada da Transat com o Mussulo 40 já foi uma vitória extraordinária, na minha opinião. Tivemos pouco tempo de preparo. A única velejada que a gente deu recentemente foi o transporte do barco da Inglaterra para França”, conta Chicourel.

Início de carreira – Leonardo Chicourel nasceu em Itabuna e veio morar em Salvador quando tinha entre 8 a 9 anos de idade. Durante a coletiva, ele disse que não imaginava que um dia estaria velejando na principal competição de regata do mundo. “Quando criança, corria com kart. Não gostava de barcos. A paixão pela vela começou quando eu tinha 14 anos. Meu pai comprou um veleiro e me colocou como comandante. Foi quando comecei a velejar em oceano”, narrou.

O itabunense, que também se considera soteropolitano, espera alcançar melhores resultados na Transat Jacques Vabre 2019. “Depois que cheguei aqui e fui recebido por meus amigos e várias outras pessoas, percebi a minha responsabilidade. Me sinto mais responsável em continuar a dar o melhor de mim e me sinto muito honrado de representar a Bahia”, destacou.

O Mussulo é o segundo barco brasileiro a disputar a Transat Jacques Vabre. Na edição de 2015, o campeão olímpico Eduardo Penido fez dupla com Renato Araújo a bordo do Zetra. Os dois terminaram a regata, que teve como destino Itajaí (SC), na sexta colocação. Em 2005, Walter Antunes foi o primeiro brasileiro a fazer o mesmo trajeto entre Le Havre e Salvador.

Os quatro vencedores da Transat Jacques Vabre 2017 foram definidos na semana passada. Na Ultime, o campeão foi o Sodebo Ultim’ com a impressionante marca de 7 dias e 22 horas de Le Havre a Salvador. Na IMOCA 60, a vitória ficou com St Michel – Virbac e na Multi50 deu Arkema. Na classe do Mussulo, a Class40, o primeiro dos 16 barcos a chegar foi o V and B. A regata largou em 5 de novembro com 37 barcos. Apenas seis ficaram pelo caminho por problemas técnicos, quebras ou capotagem.