Uma das ferramentas para alcançar os eleitores, a publicação de anúncios no Facebook ou Instagram (ambos da mesma empresa) teve baixa adesão entre os candidatos à Presidência no início da campanha.

Dos 13 presidenciáveis, 3 pagaram para promover suas postagens entre 16 e 27 de agosto (os primeiros 12 dias de campanha): Guilherme Boulos (PSOL), Henrique Meirelles (MDB) e João Amoedo (Novo), segundo um levantamento do G1 nos registros do Facebook.

Outros 5 presidenciáveis – Ciro Gomes (PDT), Geraldo Alckmin (PSDB), Jair Bolsonaro (PSL), Lula (PT) e Marina Silva (Rede) – tiveram os nomes mencionados em anúncios, mas que foram pagos por outros candidatos. Em alguns casos, para criticá-los.

Não houve registros de anúncios durante esse período com os nomes de Alvaro Dias (Podemos), Cabo Daciolo (Patriota), Eymael (DC), João Goulart Filho (PPL) e Vera Lúcia (PSTU).

Além dos anúncios de terceiros favoráveis, o G1 identificou 36 postagens com críticas a 6 dos candidatos a presidente.

O que diz a lei?
A lei 9.504 diz que o impulsionamento de conteúdo – nome técnico dos anúncios em redes sociais – deve ser feito “apenas com o fim de promover ou beneficiar candidatos ou suas agremiações”. Para alguns juristas, isso impede o pagamento para promover postagens que ataquem outros candidatos. Outros, entretanto, acreditam que a prática é possível dentro de determinados limites.

Isso significa que os candidatos estão autorizados a pagar para impulsionar postagens que promovam ou beneficiem candidatos nas redes sociais desde 16 de agosto, quando começou a campanha eleitoral. Cada anúncio precisa estar identificado e ter sido contratado por partidos políticos, coligações e candidatos e seus representantes.

Monitoramento dos anúncios
Para permitir o monitoramento desses gastos, o Facebook anunciou em junho uma ferramenta que permite pesquisar o quanto foi pago por cada anúncio relacionado a política ou ao que a rede chama de “temas de importância nacional”.

A medida foi adotada em meio às cobranças que a rede social vem recebendo, nos EUA, por maior transparência com o dinheiro que recebe de campanhas políticas e após o escândalo de vazamento de dados de milhares de usuários para Cambridge Analytica, que atuou com o time responsável pela eleição de Donald Trump, nos Estados Unidos, e foi contratada para fazer campanha pelo Brexit – como ficou conhecido o processo de saída do Reino Unido da União Europeia.

A Biblioteca de Anúncios, como foi batizada a ferramenta, contabiliza 483 anúncios relacionados aos nomes de 8 dos 13 presidenciáveis entre os dias 16 e 27 de agosto.

Desse total, 257 – ou mais da metade – foram pagos pelos próprios candidatos ou pelos partidos. Todos os demais foram bancados por outras pessoas, como correligionários que concorrem a outros cargos nestas eleições e citam os nomes dos presidenciáveis em seus próprios anúncios.

Há ainda as postagens pagas para criticar os aspirantes ao Planalto. Essas também foram pagas por políticos que concorrem a outros cargos nesta eleição.

Henrique Meirelles (MDB) é candidato à Presidência que mais anúncios fez no Facebook e/ou Instagram. Foram 191 desde o dia 17 de agosto, o primeiro dia em que os anúncios dele aparecem. Todos estão registrados no CNPJ da campanha do presidenciável.

Na primeira semana de campanha, até o dia 23, o candidato do MDB também havia sido responsável pelo anúncio mais caro até então, na faixa entre R$ 10 mil e R$ 50 mil. Esse, segundo os registros do Facebook, rendeu-lhe mais de 1 milhão de impressões (exibições em timelines de usuários).

João Amoêdo (Novo) é o segundo candidato com mais anúncios próprios, com 38 postagens patrocinadas, das quais 20 delas foram do partido e 18 pela própria campanha de Amoêdo. As outras 6 foram pagas por correligionários.

Guilherme Boulos (PSOL), o terceiro candidato que fez postagens próprias, teve 28 anúncios registrados com o CNPJ de sua campanha – todos a partir do dia 24 de agosto. As outras 52 postagens foram financiadas por terceiros (49 delas pelo deputado federal Ivan Valente, do mesmo partido).

Embora os demais candidatos não tenham pago anúncios, segundo os registros do Facebook, parte deles é beneficiada por postagens pagas por terceiros.

Lula (PT) é o candidato que mais aparece em anúncios de apoio pagos por terceiros. São 75 citando o ex-presidente, seja por apoio direto, por hashtags ou pela incorporação da alcunha de Lula ao próprio nome.

Em um dos casos, quem banca a postagem é Meirelles, adversário do ex-presidente na disputa pela Presidência. Na postagem, o candidato do MDB faz uma referência positiva ao período em que foi presidente do Banco Central quando o petista ocupava o Palácio do Planalto.

Pela Lei da Ficha Limpa, Lula está inelegível, em razão de ter sido condenado criminalmente por tribunal de segunda instância – o ex-presidente foi condenado pelos três desembargadores da 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região no caso do triplex. Ele alega inocência. Mas a candidatura do petista ainda será julgada pelo TSE.

Candidato à Presidência pelo PSL, Jair Bolsonaro tem o sobrenome em 65 anúncios favoráveis. Todos eles foram pagos por outros candidatos nesta eleição.

Geraldo Alckmin (PSDB) tem o nome beneficiado em um anúncio pago pelo deputado estadual tucano Marco Vinholi.

Marina Silva (Rede) também é citada em um único anúncio favorável, financiado pelo senador Randolfe Rodrigues, do mesmo partido.

Ciro Gomes (PDT) não tem nenhum anúncio favorável no Facebook.

Críticas
De acordo com a lei eleitoral, anúncios podem ser feitos “apenas com o fim de promover ou beneficiar candidatos ou suas agremiações”. No entanto, nos primeiros 12 dias de campanha, foram feitas 37 postagens criticando seis presidenciáveis: Ciro Gomes, Geraldo Alckmin, Guilherme Boulos, Jair Bolsonaro, Lula e Marina Silva.

Fonte: Globo.com