O futuro ministro da Justiça, Sérgio Moro, afirmou nesta segunda-feira (3) em uma palestra na Espanha que a imagem do presidente eleito Jair Bolsonaro é “distorcida” e que não há “risco de autoritarismo” nem “risco à democracia” no Brasil.

Na palestra, Moro explicou os motivos para ter aceito o convite de Bolsonaro para integrar o futuro governo.

Até então responsável pelos processos da Operação Lava Jato no Paraná, Moro pediu exoneração do cargo após aceitar comandar o Ministério da Justiça.

“É até estranho dizer isso, mas não vislumbro no presidente eleito um risco de autoritarismo ou risco à democracia. Não se está aqui simplesmente trocando uma posição ideológica autoritária por uma posição autoritária de sentido contrário. O presidente eleito durante as eleições, reiteradamente, fez afirmações acerca do seu compromisso com a democracia e com o estado de direito”, afirmou Moro.

Bolsonaro afirma que o Brasil não teve ditadura militar, mas, sim, um “regime com autoridade”; diz que o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, reconhecido pela Justiça como torturador do regime militar, é um “herói”; e é réu no Supremo Tribunal Federal por dizer que não estupraria a deputada Maria do Rosário (PT-RS) porque ela é “feia”.

Na opinião de Moro, as pessoas podem até fazer “afirmações infelizes”, mas isso não significa a adoção de políticas públicas “concretas” contra algum grupo da sociedade.

“É estranho um pouco dizer isso, mas, já que existe uma imagem distorcida em relação ao presidente eleito, eu jamais aceitaria uma posição no governo se vislumbrasse também qualquer risco de discriminação de minorias”, acrescentou.

Outros temas
Saiba outros temas abordados por Moro durante a palestra na Espanha:

Corrupção e democracia: “Tendemos a pensar a corrupção como um crime econômico, em que se faz a análise de riscos e há a troca compensatória entre o agente corruptor e o agente corrompido. Mas, no fundo, a corrupção afeta acima de tudo, mais do que a eficiência da economia, a confiança. O agente público, seja eleito ou tendo obtido a posição de otura forma, trai a confiança do cargo e do mandato. Quando a corrupção é disseminada, há o abalo significativo em relação à democracia”.

Impeachment de Dilma: “Em 2016, houve o impeachment da presidente [Dilma]. Ela sofreu impedimento por razões envolvendo principalmente, segundo o Congresso, fraudes orçamentárias. Mas, na minha opinião, o real motivo foram os crimes havidos na Petrobras, e isso não poderia ser utilizado como motivo porque o presidente do processo de impeachment [Eduardo Cunha] estava envolvido no processo criminoso.”

Acusações de ‘perseguição’: “Há um álibi utilizado por alguns dos criminosos que se corromperam de que tudo não passou de perseguição política a determinados partidos. Mas, se forem analisados os casos concretos, as provas existentes, se verifica que ninguém foi condenado com base na opinião política, mas sim por conta de crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e associação criminosa. […] É natural que de certa forma as investigações tenham recaído mais em cima do partido que controlava o governo naquela época. […] Mas merece referência o fato de que foram condenados políticos de diversos partidos, não só de esquerda”.

Fonte: G1