O governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão viajou para Paris, na França, com dois empresários investigados pela força-tarefa da Lava Jato. Apuração da Polícia Federal indica que a promixidade entre o governador e os investigados é suspeita.

A defesa de Pezão nega as acusações. Nesta segunda-feira (3), os advogados do governador entraram com um habeas corpus no Supremo Tribunal Federal (STF).

No pedido de prisão de Pezão feito pela procuradora-geral da República Raquel Dodge há contatos suspeitos entre o governo do RJ e os empresários ligados à organização criminosa.

Investigadores descobriram e-mails de junho deste ano que marcavam encontros entre o então secretário de Obras do RJ, José Iran Peixoto Júnior, e o empresário César Amorim, apontado como diretor da empresa High Control, que tem entre os sócios o seu irmão, Luís Fernando de Amorim.

Na caixa de email de Iran, os agentes encontraram registros de reuniões entre o secretário e Amorim. César e Luís Fernando de Amorim, além de José Iran Peixoto estão presos.

Luís Fernando de Amorim, também é sócio da empresa AVDS Indústria e Comércio de Eletrônicos Ltda. A AVDS é parceira do consório ganhador da licitação da iluminação do Arco Metropolitano. A obra, investigada pela Lava Jato, custou R$ 96 milhões

Os investigadores dizem que os empresários foram cooptados pela organização criminosa, que tiveram interesses atendidos e que receberam dinheiro em espécie do caixa de propina para operações ainda desconhecidas. Há indicativo, de acordo com os agentes, de ocultação de valores e lavagem de dinheiro.

Outra empresa que participou do esquema, segundo as investigações, foi a JRO Pavimentação. A Polícia Federal diz que os sócios e o governador Pezão eram amigos pessoais e nos negócios.

A JRO, de acordo com a PF, pertence a Cláudio Fernandes Vidal e Luiz Alberto Gomes Gonçalves, o Beto. As suspeitas é de que ela teria sido indicada para trabalhar para o governador por Pezão, quando ele era vice-governador e secretário de Obras do governador Sérgio Cabral.

As investigações apontam que entre 2007 e 2014, a empresa pagou 5% de propina nos contratos fechados com o governo do RJ.

A PF informa, ainda, que a JRO fraudou uma licitação, em 2010, de pavimentação no Sul do Estado, com consentimento de José Iran Peixoto, que era o subsecretário de Obras na ocasião.

O pedido de prisão revela um relatório de inteligência financeira da Receita Federal que mostra operações suspeitas no valor de R$ 381 milhões entre 2015 e 2018, além de movimentação em dinheiro de R$ 14 milhões entre 2004 e 2016.

Operador financeiro da quadrilha, Carlos Miranda, disse em delação premiada que Beto ficou responsável por receber R$ 1 milhão em bônus de propina, dado por Cabral a Pezão em 2008.

Para provar que Pezão e os empresários da JRO tinham uma relação bem próxima, a Polícia Federal revela que o trio viajou para a Europa em 2011.

Pezão e os empresários tem registrados a saída do país em 16 de junho de 2011, em voo da companhia Air France.

Fonte: Globo.com