Os pronunciamentos de Michel Temer, após a aprovação do parecer que negou ao STF a possibilidade de analisar o recebimento da denúncia contra ele, tem se dado em tom de vitória. O presidente manifestou-se ontem de modo oficial e hoje deu entrevista ao programa de rádio do jornalista Reinaldo Azevedo, apoiador declarado do seu governo. “Ao longo do tempo, tem havido a derrota de todos os que querem ver prosperar a possibilidade de afastamento do presidente da República”, disse Temer.

O presidente sabe, porém, que muitos deputados de partidos que compõem a sua base votaram contra seus interesses. Conhece ainda o fato de que o investimento feito na liberação de verbas para as emendas parlamentares, decisivo na formação da sua maioria na sessão, pode ser mais complicado em eventuais denúncias futuras. Há quem aposte que os acordos de colaboração premiada de Lúcio Funaro e Eduardo Cunha tragam ainda mais problemas a Temer, viabilizando novas e mais contundentes ações da PGR.

Fora isso, a agenda das reformas, em especial a da Previdência, estaria em xeque após o cenário de racha na Base aliada. Para reformar as regras da Previdência Social é necessário que haja aprovação de 3/5 dos membros tanto da Câmara quanto do Senado, já que se trata de Emenda Constitucional. A título de exemplo, os 263 votos conseguidos por Temer ontem seriam insuficientes para essa aprovação.

Assim, o cenário parece mais incerto do que as animadas declarações do Presidente Temer, após escapar de mais uma chance concreta de perder o cargo.

Foto: Pedro Ladeira/Folhapress