Em busca dos votos necessários para barrar a denúncia da PGR pelo crime de corrupção passiva na Câmara, tem sido intensa a movimentação do Presidente Temer nos bastidores de Brasília.

A posição do PSB, contrária à reforma trabalhista, não foi seguida por boa parte dos seus congressistas. Consta que os dissidentes teriam sido procurados tanto pelo PMDB de Temer quanto pelo DEM de Rodrigo Maia para engrossarem suas fileiras na casa. Maia é o presidente da Câmara e conduzirá a sessão que autorizará ou não o prosseguimento da denúncia contra o peemedebista. Além disso, caso seja aprovada a continuação do processo e o STF receber a denúncia, o próprio Maia assumirá a Presidência por até 180 dias, prazo para que seja proferida a sentença no Supremo.

Para arrefecer os ânimos, informa a Folha de São Paulo que Temer jantou com Maia e aliados, garantindo que não interveio nessa questão do PSB pessoalmente.

Mais cedo, o Presidente do PSB, Carlos Siqueira, afirmou que ao convidar dissidentes da legenda para ingressar no PMDB, Temer “não age como Presidente da República, mas como chefe de partido” e que sua preocupação é “salvar a própria pele”.

Outro fato que tem ganhado muita repercussão é a gorda liberação de verbas para emendas parlamentares, que já teria superado em mais de 30% o valor com o mesmo fim em período semelhante do ano passado.

O que se pode concluir de tudo isso é que Temer tem feito de tudo para não desagradar Maia, hoje seu aliado, mas eventual sucessor, bem como aqueles que decidirão seu destino na Câmara.

O jogo de xadrez político segue com as peças se movimentando. E o debate jurídico envolvido, como era de se esperar, fica em segundo plano.

Foto: Manobras na CCJ já tinham chamado atenção (Pedro Ladeira/Folhapress)